domingo, 24 de julho de 2011

DIFERENÇAS ENTRE BAZAR DE LOJA, BRECHÓ E BAZAR BENEFICENTE.





Caríssimos Leitores e Revivalistas,


'Stando nós correndo com as cartolas e bengalas p'ra cá e p'ra por conta do I Chá das Cinco, venho fazer uma postagem que também será útil para rapazes que usam saias. Muitas pessoas ficam surpresas de como eu consigo certas roupas em bazares beneficentes e nada mais justo ensinar a arte de pesquisar e analisar peças, sejam usadas ou não.


O que vem a ser vestir uma roupa usada? Quais vantagens podemos ganhar? Aplica-se o ditado "o barato sai caro?" Enfim, o que devo comprar?


Primeiramente você deve ter em mente o seu guardar-roupa atual, precisa passar um raio-x e verificar  as peças que você tem demais, as que você possui numa quantidade razoável, as que são poucas e aquelas que  simplesmente não possui e nem imagina como encontrar. Por exemplo, você visualiza seu guardar-roupa e descobre que possui muitas calças jeans, algumas camisas em diversas cores, poucas saias e nenhuma saia longa. 


Então você parte para o segundo passo pois já sabe o que deseja comprar, precisa conhecer bem suas necessidades, o que pretende usar no evento X e que servirá para outras situações, isto é, as possibilidades do uso das roupas. Parece difícil, mas este pequeno procedimento pode ser aplicado para qualquer situação, mesmo para fazer compras no shopping.

Já sabendo o que comprar você precisa compreender onde comprar mesmo porque o lugar também ditará suas condições e particularidades.


BAZAR DE LOJA


Ao invés de uma loja / marca realizar uma pequena liquidação prefere montar um lugar onde ficarão as roupas mais baratas. O bazar de loja que conheço é o bazar da Cavalera aqui no meu bairro, eles costumam vender roupas das outras estações por preço bem mais em conta que os atuais. Estive lá somente uma vez e não levei nada porque fui deixar apenas currículo (kkkk) mesmo porque as roupas eram comuns demais para minha estética. 

Mas eu já fiz compras numa confecção aqui do bairro que estava vendendo suas peças por baixíssimos preços (uma camiseta nova por 3 contos) porque pretendia se mudar e algumas peças tinham pequeninos defeitos.

O que compensa comprar? Imaginemos a coleção que o Pedro Lourenço fez para a Richuelo, talvez eles façam um bazar para se livrar da tal coleção em 2012 e você pode adquirir por baixíssimos preços.

Outra hipótese é comprar uma roupa para dar de presente para pessoas que adoram roupas de marcas famosas.

Abaixo, uma camisa polo de rock adquirida num bazar da tal confecção que iria fechar.



BRECHÓ:




Chegamos ao ponto que nos interessa. As pessoas têm confundido demais os três lugares por conta do sucesso dos brechós. Um brechó é um comércio como qualquer outro, funciona como um antiquário de roupas, vende roupas usadas e antigas por um preço aparentemente mais baixo que as lojas. 

Eu nunca comprei nada em brechó porque nunca encontrei nada que me agradasse. Saiba que nem tudo num brechó merece ser comprado. Percebo que muitos comercializam peças de marca e vendem por um preço mais suave, mas mesmo assim pode não compensar.


Uma vez a vendedora me ofereceu uma camisa roxa de seda pura (diz ela) com babados de rendas nos punhos e no peito que apresentava um rasgo na gola. Por ser uma camisa de marca, ela quis vender por uns 70 contos. Mas eu não levei, a questão é que o público alternativo pode comprar pronta ou encomendar uma camisa assim na Galeria do Rock ou em lojas do orkut. Muitas coisas que são vendidas em brechó você pode comprar saindo de fábrica, isto é, de lojas do comércio popular mesmo por preços bem mais suaves. 

Nem eu saberia o que comprar num brechó já que nunca comprei nada lá. Mas algumas coisas muito específicas compensam. Por exemplo, se seu grupo de teatro precisa de uma fantasia de banana e você sem querer encontrou num brechó, aí compensa comprar...





BAZAR BENEFICENTE:




Ao contrários dos outros dois lugares, um bazar beneficente não possui fins comerciais, a ideia da paróquia/ centro espírita/ igreja/ ONG é gerar dinheiro para suas despesas e, para isso, realiza venda de roupas, móveis, eletroeletrônicos, eletrodomésticos, vasos, artesanatos etc



O preço tende a ser muito, mas muito mais barato que tudo que você já viu na vida porque além de ser doações, são muitas doações mesmo, então eles precisam vender tudo. Por exemplo, ontem comprei duas calças e uma bermuda totalizando R$12,00 e como faltava R$1,00 fizeram por R$11,00.




Há dois tipos de bazar beneficente.Um deles é o bazar que acontece somente de vez em quando, por exemplo, de três em três meses, apenas durante aqueles dois dias do ano etc Nesses bazares o preço tende a ser mais salgado que nos bazares permanentes que já explicarei. A questão é que como este bazar é um evento de poucas horas o público é numeroso e aplica-se a lei da oferta e procura em que temos muitas pessoas querendo comprar roupas e as mesmas ficam com preços mais altos.




Já um bazar permanente acontece com maior estabilidade e sempre em dias e horários definidos, por exemplo, todas as quartas-feiras à tarde ou todos os sábados de manhã etc Sendo assim, não há necessidade de você chegar lá bem cedo diferentemente de um bazar temporário em que as coisas acabam muito rápido...




Num bazar beneficente você não encontrará vendedor para te atender nos mínimos detalhes, isso aconteceu comigo somente uma vez num centro espírita da Vila Mariana que havia poucos clientes, mas muitas voluntárias. O que você vai ver é que existem voluntários que te mostrarão o lugar onde estão as saias e a mesa das calças e por aí vai, você vai cavando, minerando até encontrar alguma coisa. 



Como já comentei as peças são bem baratas porque são usadas e são muitas doações e precisa-se conseguir se livrar das roupas o mais rápido possível para colocar as outras de estoque.  Vou ser sincero, comecei a frequentar tais ambientes por questões de falta de dinheiro e ver as coisas pelo preço tem sido sempre a primeira opção. Claro que equilibro qualidade e preço porque existem coisas que são impossíveis de comprar. Infelizmente, já comprei coisas de que me arrependi por estarem com defeitos irreversíveis e peças sem necessidade. 



Por que num brechó uma bolsa marrom da Luis Vuitton chega a custar quase o mesmo preço de loja mas num bazar beneficente sai baratíssimo? Porque o público-alvo precisa de uma bolsa e não de uma marca, mesmo porque pobre sempre faz compras em shopping para demonstrar status e rico compra em qualquer lugar. Fora que muitas pessoas que trabalham nos bazares não entendem de modelagem, costura, marketing, tecidos etc




Outra situação a ser pensada é que é desnecessário comprar uma calça jeans numa loja por 50 contos, afinal, jeans é tudo igual... existem roupas que podem ser usadas já que nem faz diferença visual, quem vai reparar se é ou não usada?




O que você não deve comprar num bazar beneficente:



- eletroeletrônicos, eletrodomésticos: o bazar da Creche Catarina Labouré só não vende automóvel por falta de doação porque até geladeira, fogão, televisão preenchem o grande bazar, a gente faz até um tour pelo convento... 

O grande problema de uma TV usada é: ela é usada ou ela está quase acabada, tipo, vai durar quantas horas? Minutos? Não temos como saber, daí o investimento ser arriscado demais.


- sapatos e bolsas: dificilmente o sapato que gostar será de seu número e estará em qualidade vantajosa para você. Sapatos gastos não merecem sua compra, o mesmo válido para bolsas. 

Cintos podem sim ser comprados. Alças de bolsas às vezes são vendidas separadamente e podem ser usadas como alças de falso suapensório, sabe aquelas tiras que usamos como se fossem suspensórios caídos sobre o kilt? Então...




- peças muito estragadas: casaco cujo forro parece ter sido roído por ratos da peste bubônica, calças com rasgo bem na genitália, zíper (pior invenção do homem) quebrado destruindo o tecido em volta, rasgo em tecidos bem finos etc. 


Existem peças estragadas que podem sim ser consertadas, aliás, tenha em mente que você pagará um valor igual ou maior que o preço da peça para consertar e customizar. Porém, mesmo assim, ainda é vantagem porque você consegue aquilo que não se vende em lugar algum e o custo continua baixo. A bermuda que comprei para um evento era azul, paguei 2 reais + 1,50 do corante para tingir e agora creio que desembolsarei uns 5 reais para pôr o elástico na barra. Façam as contas, nem vai dar 10 contos! E 'stamos falando de uma peça que não existe no mercado...




- uniformes escolares: pode até ser possível customizar uma camiseta com a estampa do colégio, mas minha pergunta é  se realmente compensa porque já existem camisetas sem estampas num bazar, então as camisetas escolares se tornam inúteis.


No entanto, um uniforme de faxineira (calça e jaleco em tons cinzentos), por exemplo, pode ser plenamente adaptado. A calça geralmente nem tem referências da empresa, a parte de cima pode ser customizada...






O que você pode ( e deve comprar) num bazar beneficente:


- vestido de noiva:  obviamente com objetivos bem diferentes de uma noiva. Um vestido com tule francês pode servir como anágua para você vestir uma longa saia preta godê por cima conferindo a silhueta ampulheta que tanto admiramos, é uma opção para quem quer montar um visual 1860's sem investir em crinolina dependendo do preço convém experimentar e comprar. Outra coisa é que você pode tentar tingir um vestido ou certas peças com água fria e papel crepon. Mas uma possibilidade que com certeza dará certo é manter a cor branca da saia do vestido e retirar os bordados da blusa (geralmente vestido de noiva é bordado mais na blusa) ou acrecentar uma outra blusa por cima.

Alguns bazares não possuem provador e/ ou espelho. Todavia, você pode colocar as peças por cima de sua roupa, por isso, faz-se necessário ir fazer compras com roupas leves. No lugar do espelho, providencie uma pessoa para opinar, a regra geral de levar amigos e amigas continua valendo.






- vestidos de festa: as mesmas regras apresentadas acima



- retalhos: retalho vem a ser um eufemismo porque é plenamente possível encontrar retalhos com mais de 1 metro. Com retalho você pode cobrir bolsos, estampas e detalhes indesejados que não permitem a reconstrução histórica. Pode fazer echarpes, cravats, até costurar saias e outras peças...


- camisas e camisetas claras: se estiverem em tecidos naturais como algodão você pode tingir.


- chapéus/ boinas: entra naquela categoria de produto difícil de achar, mas geralmente em ótimo estado.



- livros: este segmento costuma levar enfiadas de faca, verifique bem a qualidade do produto, aliás tudo que comprar devem ser analisados o tecido, a costura e as possibilidades de composição de looks e customização.


Algumas coisas que comprei em bazares beneficente:




A bata abaixo por R$ 4,00 (Bazar da IHDI)







Renda branca de cortina. Cortina é algo que pode ser comprado e rendas de cortina podem servir para customizar as roupas. Na Igreja de Nossa Senhora Aparecida paguei R$2,00 ou  foi 1. Não lembro agora. Eu usei o corante preto que já tinha usado noutra roupa e o resultado foi esta renda cinza para uma performance literária.





Minha primeira saia por 1 conto no extinto bazar do câncer.






Saia do bazar da IHDI







Não espere encontrar o endereço de bazares pela internet. É possível que tenha, mas a melhor forma de descobrir é vasculhando jornais de bairro, murais (quadro de avisos) das igrejas e passeando pelo seu bairro. Na dúvida, ligue para igrejas,  templos, orfanatos e pergunte. Eu até pensei em incluir uma lista no post mas além de ficar cansativo eu não apresentaria algo mais completo.



Porém deixo aqui referências que frequento:




Bazar do IHDI:
De segunda à sexta-feira
Das 13h às 17h


Rua Almirante Lobo, 608 - Ipiranga - São Paulo
2062 1352






Creche Catarina Labouré (bazar ocasional)
Rua Cipriano Barata, 2028
Ipiranga - São Paulo, 04205-001
(0xx)11 2215-9913


Bazar do NEED (ocasional)

Rua Costa Aguiar, 1302 - Ipiranga
São Paulo - SP
2914 9854







                                               Rommel Werneck

3 comentários:

Gaby Vieira disse...

Adorei!!! Tinha até esquecido que tem um ali perto da casa da minha mãe, acho que vou lá no sábado, se der tempo...rs

Martikaⓡ disse...

Que Achados! Amei tudo!

Sulamita Nunes disse...

Estou fazendo um bazar beneficente s/fins financeiros,e você me deu varias idéias. Gostei de ler. Mas senti muito preconceito da sua parte em relação ao assunto. Tive câncer de mama e hoje faço homonioterapia e aprendi à ver o mundo de outra forma. Sei ter e sei não ter. Este bazar ira beneficiar pessoas do interior que não tem alimento em casa e fazem a quimioterapia ou outros tratamentos agressivos e precisam de boa alimentação .

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