quinta-feira, 22 de março de 2012

BERMUDA NÃO PODE, MAS SAIA PODE???



 No início do mês um caso deveras interessante ocorrido aqui no Brasil e divulgado no facebook se mostrou perfeito para ser abordado no blog. Casos semelhantes existem sim e mostrarei a posteriori, mas esse é o que mais chama a atenção. 

 Rapazes, observem a foto e o depoimento do empresário , material que circulou no facebook.






Na última terça-feira estivemos eu e a Claudia, minha mulher, visitando a feira de presentes Gift Fair no Center Norte, a trabalho para a nossa loja, a Rosamundo (www.rosamundo.com.br). Depois de algumas horas andando, fomos ao banheiro, que se localizava fora da feira. Ao retornar, fui abordado por um segurança que me informou que eu não poderia mais entrar, pois estava de bermuda. Tentei convencê-lo do absurdo da regra, pois além de eu estar dentro da feira “trabalhando” a cerca de 4 horas, fazia um calor de 34 graus, e haviam dezenas de mulheres usando bermudas, mini saias e shortinhos minúsculos no evento sem que nada lhes fosse coibido. Minhas quase súplicas de nada adiantaram, os seguranças (agora já eram em 3 funcionários) alegaram que as câmeras haviam registrado minha presença fora dos padrões dos trajes exigidos e que nada poderia ser feito. Nesse momento a Claudia teve uma idéia: ok, ele não pode entrar de bermuda, mas as regras nada dizem sobre homens entrarem de saia. Nesse momento nos entreolhamos e com poucas palavras e muita cumplicidade nos dirigimos ao banheiro e trocamos de roupa, ela colocou a bermuda e eu a saia que ela usava. Entramos na feira sem que ninguém nos pudesse impedir e tranquilamente terminamos o que fomos fazer. Foi muito interessante ver como uma peça de roupa pode causar tanto desconforto nas pessoas. Pois é, sai da feira com o propósito de fazer um inocente xixizinho e voltei de saia, mas vou confessar é uma delícia usar saia, hahahaha. Viva o Flávio de Carvalho e o Laerte!

 Antes de continuar meu raciocínio, exponho aqui outras duas situaçõe semelhantes.








    O vídeo mostra um cidadão brasileiro proibido de adentrar numa repartição pública por vestir bermuda ao passo que a foto é do estudante Chris Whitehead (12 anos, leia AQUI em inglês) que se nega a vestir calças no calor. Já conhecia essas duas histórias, mas o relato de Lefevre me chamou mais a atenção por conta do lugar em que a bermuda foi censurada.

    Ingressar numa repartição pública como cidadão vestindo bermuda é um absurdo, ninguém pode negar. Eu mesmo, quando tinha 16 anos, fui proibido de entrar em uma por vestir "bermuda", mas, na verdade, eu vestia calça cápri. E quando fui visitar a instituição onde dei aulas e fui censurado também? No meu caso, na primeira situação, é mais ridículo ainda pois eu vestia calça cápri o que está longe de ser bermuda. Pergunte a uma costureira se não há diferença! E a pessoa que me atendeu com sua saia na altura do útero?

    No fim de 2011, estive numa loja fazendo treinamento como vendedor, eu estavacom uma calça sarja creme, como usei como cintura alta, a bainha da calça terminava cerca de dois dedos acima do tornozelo. A gerente não criticou, pelo contrário, elogiou minha calça dizendo que era diferente, todavia eu mesmo não vejo tanta diferença assim. Quer dizer, o assunto roupa inferior (não no sentido de underwear, no sentido de "roupa para as pernas") tomou proporções claramente puritanas do tipo: "a calça masculina deve estar a X polegadas abaixo do tornozelo".

Sinceramente, acho um absurdo tal postura. A frase acima não existe em nenhum "cânone de moda" ou "estatuto de empresa", porém existe na cabeça das pessoas. Eu odeio andar com calças muito longas na altura do pé ou do chão como se configura "normal" e quando tenho que me vestir assim eu ando segurando a calça como se eu fosse aquelas tiazinhas da Era Eduardiana que seguravam a cauda e o excesso hehehe.

Poder-se-ia vestir uma calça cápri com meias 3/4 como é comum no boystyle. É alternativo? Lógico, estamos na época da indecência, hoje em dia as pessoas querem é se amostrar! Por isso, é diferente, mas plenamente adequado ao universo formal. 

Por outro lado, não há nenhuma censura às mulheres. Mulheres podem ir de bermuda, calça gang (Zeus me livre!) e saias  à  Geisy Arruda (puta kilt pariu) sem problemas. E essa liberdade total (na verdade, libertinagem) tem gerado muitos desconfortos e incoerências: homem não pode usar uma calça cápri na canela, mas mulher pode usar saia curtíssima provocando uma senhora inadequação ao ambiente em que se encontra??? É errado isso, se a pessoa está praticamente nua, não deveria ser permitido! Mas se o homem mostra um pouquinho, não pode?? É machismo puro. 


Vejamos a história do adolescente inglês que quer usar saia no lugar de calça comprida, a ideia é tão coerente que seus colegas apoiaram a decisão como se pode ver na foto. A escola dele não permite bermuda no uniforme, mas nada diz sobre homens de saia. É um atentado ao corpo, à higiene querer que o homem (criança, adolescente ou adulto) vista calças no calor. Já imaginou se exigíssemos o mesmo das mulheres? Que tal saias longas + anágua + bloomer? Só nos eventos revivalistas, pelo amor de Chanel!


 Agora vem a raiz do problema brasileiro já que os australianos usam bermuda + meia. Não temos bermuda decentemente adequadas. FATO! Quer comprar bermuda? Você vai ver o circo dos horrores, estampas florais exageradas, bermuda água, bermuda BEM acima do joelho, cores e tecidos somente esportivos etc etc etc. Enfim, não temos bermudas sociais, peças que possam ser usadas!


BERMUDA SOCIAL





Para começar algum movimento de bermudas elegantes, o ideal seria fazer uma bermuda como a primeira em oxford, crepe ou algum outro tecido fino como se fosse uma calça social, porém é conveniente copiar a largura da segunda bermuda e descer até um palmo após o joelho. Parte de cima: camisa, gravata, colete (ou paletó, mas colete porque a intenção é montar um traje profissional/ social para o calor), tudo isso confeccionado na costureira (não, rapazes, os alfaiates também não fazem isso, não fazem nada, aliás...) A bermuda seria substituível pelo kilt, mas é óbvio que 'stamos falando de uma utopia porque o mercado de trabalho (sempre o mercado de trabalho, sempre ele!) é puritano...



A história de Alberto Lefevre revela justamente isso. Feira de lojas, mas não pode usar bermuda por quê? De fato, faltam bermudas elegantes e sociais no mercado, mas falta também uma "limpeza" na mente das pessoas, enfim, limpar desse puritanismo que descrevi. Uma bifurcaçãozinha muda tudo! Coloca uma bifurcação no kilt... pronto: tudo muda. As pessoas não te olharão mais surpresas, ahhh, mas entrar em certos lugares não vai poder kkkkkkkkkkkkkkkkk É trágico, mas é tão besta que não tenho como não rir. Imaginem esse que vos escreve fazendo isso? kkkkk Pior: lembrei que uma vez vi um projeto de saia e short ao mesmo tempo porque aí dá pra se adaptar né? kkkkk. Vai no supermercado, fecha a roupa, vai tirar a segunda via do título de leitor, solta o negócio e roda, Marilyn Monroe kkkkkkkkkkkkkk





 Rommel Werneck








Um comentário:

Moda de Subculturas (Sana) disse...

Não entendo esses absurdos...

Deveria haver ao menos uma espécie de bermuda mais "social", não de tecido social, mas de certo comprimento e estética discreta para que os homens pudessem trabalhar.

Sabe que me lembrei que quando fui tirar o RG pela primeira vez (eu era pré adolescente) eu fui de saia e não me deixaram entrar. Disseram que mulheres tinham que entrar lá só de calça O.o !!!!
Tive que voltar no outro dia trajando calças. Não sei se ainda é assim - acho que não - mas tipo... de onde isso?